Sunday, February 14, 2021

Futebol!:O Always Ready, a competitividade do Futebol Sulamericano e o G-8 do Brasileirão

Aviso: este texto contém muitas especulações sobre o futuro baseados em achismo, nada dito aqui deve ser levado totalmente a sério e é somente resultado de um exercício mental do autor durante os últimos dias.

A Turnê Internacional do Campeão Boliviano

Como postado há alguns dias, o clube Always Ready, campeão boliviano de 2020 decidiu fazer sua preparação para a temporada 2020 em solo brasileiro, mais precisamente na cidade de Atibaia, onde está realizando alguns jogos-treino. Duas das equipes escolhidas foram a Portuguesa-SP e o clube da cidade, o SC Atibaia, ambas equipes que atualmente se preparam para o Campeonato Paulista - Série A2, que tem início no dia 28 de Fevereiro.

Em um jogo entre uma equipe campeã nacional, se preparando para disputar a fase de grupos da Taça Libertadores da América, e dois clubes que disputam divisões de acesso, o resultado parece ser bem óbvio. No primeiro jogo contra essas equipes, o clube Boliviano perdeu de 2x0 para a Lusa, enquanto na data de hoje, o Always Ready foi derrotado por 3x0 pelo Atibaia. Entre esses jogos, o clube também enfrentou a equipe Sub-17 do Santos e venceu por 2x0.

Esses resultados são poucos e tirar conclusões somente disso é exagerado, mas junto com outros fatores observados mostram uma tendência de diminuição constante da competitividade no nosso continente. Equipes que deveriam ser competitivas, como o campeão de um torneio nacional, não conseguem demonstrar futebol equivalente a um time de quarta divisão Brasileira.

A (falta de) Competitividade do Futebol Sulamericano

Essa diferença cada vez maior pode criar no futuro uma desvalorização do campeonato por falta de competitividade. Não faria sentido para um time equatoriano viajar com seu time titular para outro país, já sabendo que a chance de vencer é rara. Ao mesmo tempo, um time brasileiro começa a achar desperdício de tempo jogar um campeonato com times tão mais fracos.

Alguns dados que ajudam a chegar nessa conclusão:

  • Das últimas 30 finais, somente duas não tiveram um time do Brasil ou Argentina, sendo que em ambas, pelo menos um time desses dois países chegou até as semi-finais.
  • Das últimas 5 finais, 4 foram exclusivamente entre times desses dois países, sendo que as últimas três edições tiveram apenas países desses dois países nas semi-finais.
  • O Palmeiras, considerado um dos campeões com pior futebol e que teve poucos adversários de tradição no caminho, marcou 33 gols e sofreu somente 6 gols nos 13 jogos disputados, incluindo 3 goleadas por 5x0
  • Dos 12 times desses países classificados para a fase de grupos da Libertadores de 2020, 9 passaram para o mata-mata, ou 75% dos clubes se classificaram, sendo 6 desses com a melhor campanha do grupo. Do outro lado, dos 20 times dos outros países, somente 7 se classificaram, ou 35%. Em 2019, essas porcentagens foram, respectivamente, 77% e 31%, enquanto em 2018 foram 92% e 21%

O Problema do G-8 do Brasileirão

Com estes dados demonstrados, podemos concluir que mesmo times Brasileiros e Argentinos não tão bem classificados nos seus campeonatos nacionais conseguem fazer boas campanhas na fase de grupos da Taça Libertadores, enquanto mesmo times bem colocados de outros países sofrem para se classificar.

Times do nosso G-8, que internamente são tratados como times medianos, acabam sendo tratados como favoritos nos confrontos internacionais, e até mesmo temidos nos sorteios. Isso acaba gerando também uma certa acomodação para esses times. Não há motivos para disputar uma posição mais alta na tabela do Nacional, se é possível conseguir uma vaga na Libertadores jogando um futebol mediano, como dito antes, e aos poucos há uma deterioração do nosso futebol.

Isso tudo pode acabar criando consequências para o futuro do futebol nacional. Times desinteressados geram jogos desinteressantes, que por consequência geram desinteresse do público médio, diminuindo o alcance dos patrocínios e afastando cada vez mais o dinheiro destes investidores. Um exemplo extremo é o que acontece atualmente com o Campeonato Carioca, cada vez menos disputados, cada vez menos prestigiado, e cada vez menos valorizado.

Possíveis Soluções para o Problema Apresentado

Para evitar estes problemas, é necessário equilibrar o nível dos participantes, e será colocado aqui três modos de ser feito isso, nenhum deles sendo perfeitos. O primeiro seria a inclusão dos times da América do Norte, enquanto os outros dois passariam por reformulação na própria fase de grupos, passando dos atuais 32 clubes para apenas 16.

Para o primeiro caso, poderiam ser dadas aos países da América do Norte de 4 a 8 vagas na competição. Somente como exercício de imaginação, considerando os número da fase de grupos de 2020 colocados anteriormente, e assumindo que metade dos clubes do outro continente entrariam em vagas de Brasileiros e Argentinos, enquanto a outra metade assumiria vagas de outros países, com um aproveitamento de 50% de classificação para a fase final, teríamos os seguintes cenários:

  • Para 4 times extra-sulamericanos: 8/12 classificados no eixo BR/ARG (67%), 8/20 classificados fora do eixo (40%)
  • Para 6 times extra-sulamericanos: 7/12 classificados no eixo BR/ARG (58%), 9/20 classificados fora do eixo (45%)
  • Para 8 times extra-sulamericanos: 6/12 classificados no eixo BR/ARG (50%), 10/20 classificados fora do eixo (50%)

Com isso, podemos ver que haveria um maior equilíbrio entre os classificados, caso haja um desempenho médio nos clubes extra-sulamericanos. Essa ideia de inclusão do continente vizinho é veiculada constantemente nas mídias, porém aparentemente nunca houve uma real intenção por ambas as partes, já que custos e logística ficariam bem prejudicados nesse cenário.

Reformulação da Fase de Grupos

Passando para as soluções seguintes, a diminuição da fase de grupos tornaria esta etapa do campeonato mais equilibrado, gerando jogos mais interessantes e atraindo maior interesse. Com apenas 16 clubes, divididos em 4 grupos, o torneio passaria a ser mais curto para as equipes melhores colocadas nos rankings nacionais.

Mantendo a quantidade atual de 47 participantes, uma proposta seria classificar somente os campeões nacionais para a fase de grupos, além dos campeões da edição da temporada passada dos dois torneios continentais, Libertadores e Sulamericana, totalizando 12 times. As outras 4 vagas seriam disputadas em fases mata-mata entre os times restantes.

Essa opção ainda manteria o G-8 no Brasileirão, mas criaria uma disputa maior por posições que já garantissem classificações mais altas na fase eliminatória. Porém, ainda manteria uma diferença de qualidade muito grande entre os clubes já classificados, como visto no começo do texto, mesmo um campeão nacional não tem qualidade suficiente para competir com clubes do eixo BR/ARG

A outra opção seria uma reformulação total da Competição, sugerindo aqui um número de 24 participantes, sendo 8 classificados diretamente para a fase de grupos, e os outros 16 necessitando passar pela fase eliminatória.

Aqui, temos também opções para definir os 8 classificados diretos, mas a sugestão seria colocar entre os 8 já classificados, os dois campeões das competições continentais, além dos campeões nacionais de Brasil e Argentina, e mais 4 clubes definidos pelo ranking de seleções da Conmebol, usando como critério a Copa América anterior a competição, onde cada um dos países semifinalistas teria direito a uma vaga direta na fase de grupos (caso haja um clube não pertencente a Conmebol entre as quatro seleções, a vaga sobrando seria dada ao melhor colocado).

Para as oito vagas restantes, os 16 clubes faltantes disputariam um jogo eliminatório. Esses 16 clubes seriam distribuídos entre um clube para cada país (10 vagas), e mais uma vaga para cada país que já possua vagas na fase de grupos, exceto os dois campeões continentais (6 vagas). Isso dificultaria até mesmo a participação de campeões nacionais mais fracos, tornaria o campeonato extremamente mais difícil, mas criaria uma polarização grande a favor dos times do Eixo BR/ARG, já que permitiria ter metade dos times disputando a competição somente desses dois países, em casos extremos.

Mas essa diminuição de vagas melhoraria a competição interna e faria com que o futebol local ter um desenvolvimento de baixo para cima, com os clubes necessitando jogar melhor para conquistar as poucas vagas disponíveis de candidatos à Gloria Eterna.

Concluindo, talvez estaremos passando por uma fase de baixa do futebol continental e nenhuma dessas mudanças será realmente necessárias, mas há sempre uma preocupação real de ficarmos para trás. Então seria bom já pensarmos e discutirmos algumas alternativas, mesmo que seja só um papo de bar ou um post em uma rede social. Nunca se sabe quando tem alguém mais influente nos lendo...



Submitted February 13, 2021 at 10:57PM by azanitti https://www.reddit.com/r/futebol/comments/ljhqr0/o_always_ready_a_competitividade_do_futebol/?utm_source=ifttt

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